Caderno de fiado: crédito raiz resiste em bairros de Fernandópolis
- brenoguarnieri
- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Mesmo com tantos meios de pagamento, o fiado se mantém em pequenos negócios e salva fernandopolenses em tempos de crise
Breno Guarnieri
Dos primeiros caixas eletrônicos nos anos 80 ao advento do Pix. Mesmo com todas as soluções tecnológicas e de crédito fácil, a tradicional caderneta para clientes ainda sobrevive em alguns comércios de Fernandópolis e tem facilitado a vida de muitos moradores dos bairros em tempos de crise.
Para Joaquim Sales, proprietário de um bar, situado no Jardim Paraíso, zona norte de Fernandópolis, a tradição de anotar no caderno de fiado é medida na base da confiança “Faço isso para clientes mais antigos, tudo na base da confiança. Conheço outros donos de estabelecimentos que também usam a caderneta”, relata.
Carlos Nogueira, dono de um pequeno estabelecimento no Jardim Araguaia, também na zona norte do município, tem cerca de 20 clientes que compram pela caderneta. “Existem pessoas que conhecemos a família há mais de 20 anos. O pessoal já ganha pouco e é uma forma de não perder a venda, mas claro sem ninguém ‘pisar na bola’”, acrescenta.
Nem débito, nem crédito, nem pix
O autônomo Sérgio Ferreira é cliente de Nogueira, pelo menos, três anos. “Não está bom para muitas pessoas (crise financeira). Eu sempre busco pagar certinho a conta. Difícil eu atrasar. A confiança é fundamental nessa questão”, pondera.
“Eu venho da periferia de São Paulo, onde lá continua funcionando essa forma de pagamento. Legal saber que a prática também continua em cidades pequenas”, reforça a dona de casa Maria de Lourdes.
Mas afinal, porque a prática se mantém até hoje? “Algumas pessoas estão endividadas, boa parte com o nome negativado e não tem acesso a esses pagamentos formais, como cartão e pix”, finaliza Nogueira.

A compra pela caderneta de anotações movimenta pequenos comércios em bairros de Fernandópolis. Foto: Reprodução










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